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RCL 42 _ Genealogias da Web 2.0

Literacia e Literatura na Web 2.0

Para uma arqueologia da ciberliteratura

A ciberliteratura alia uma técnica e um dispositivo tecnológico a práticas experimentais de carácter ficcional que o ambiente ciber propicia com os seus mecanismos muito próprios.

Esta articulação está nas origens do movimento denominado Oulipo. Uma das contradições da literatura produzida pelo Oulipo é que o aumento dos constrangimentos de escrita é proporcional à libertação da literatura assim gerada. Mas as técnicas enunciadas e utilizadas pelo grupo não se resumem a técnicas de produção textual. Elas configuram também a própria organização de textos.

Destacam-se três escritores cuja obra releva de exercícios de auto-constrangimento. São eles, Georges Perec, Italo Calvino, ambos membros efectivos do grupo Oulipo, e, ainda, Julio Cortázar, convidado a aderir ao movimento mas que não chegou a fazê-lo. São três romancistas cuja consistência formal e literária das suas obras merece ser destacada. Encontram-se, nas estruturas formais dos seus romances, o princípio da narrativa não linear, deixada ao critério do leitor.

De uma Exigente Literacia da Experiência Digital

Transliteracia é "a capacidade de ler, escrever e interagir em diversas plataformas, instrumentos e meios de comunicação, desde a linguagem gestual e oral, passando pela escrita à mão, impressão, televisão, rádio e cinema, até às redes sociais digitais". A proposta do grupo de trabalho de Sue Thomas oferece uma perspectiva unificadora do que significa literacia e explora um novo conceito que é, simultaneamente, muito velho e totalmente novo, e que nos ajuda a perceber melhor a maneira como cada um de nós comunica nos dias de hoje. Para tal, separa-se a literacia da sua associação original com o texto escrito e assume-se a literacia como um conceito intercultural que abarca diferentes tipos de meios e permite agregar os exigentes desafios das competências necessárias ao desenvolvimento de cada profissional do mundo digital contemporâneo.

Do flâneur ao ciberflâneur: breve digressão pelas práticas interactivas do espaço contemporâneo

Este ensaio discorre sobre a relação estabelecida entre a escrita ficcional e as emoções da viagem (real e virtual), recorrendo ao exemplo da obra de alguns escritores (Francesco Careri, Baudelaire, Michel de Certeau, Deleuze, etc), ou seja, neste texto o autor interroga-se sobre a capacidade redentora da fascinação do espaço interactivo da viagem enquanto prática artística contemporânea.

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