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RCL 42 _ Genealogias da Web 2.0

Culturas e Teorias da Web 2.0

A televirtualidade: Heterotopias, heteroglossias

Aborda-se aqui a questão da televirtualidade como uma forma de acção à distância. Que possibilidades e limites manifesta esta forma de relação no espaço à distância? Que forma de presença instaura? Que estratégias de camuflagem? Estarão as Redes a construir na infosfera novas formas de heterotopia e de heteroglossia?

Ciberculturas

A cibercultura encerra alguns traços centrais. Antes de mais, assiste-se, hoje, à deslocação do paradigma industrial (fundado no discurso, na narrativa, no monumento e na instituição, ou seja, na coisa e no estado de coisa) para o paradigma informacional (circunscrito pelo fluxo, pela modulação, pela disjunção, pela relação em tempo real). Na passagem da individualização para a individuação situa-se o status nascendi das diversas ciberculturas. Em segundo lugar, podemos tomar a circum-navegação do mundo no século XVI como metáfora da actual circum-navegação electrónica. Em terceiro lugar, a cibercultura emerge, simultaneamente, tanto como expressão do poder da imagem, como do prazer inútil, onde sobressaem o jogo do imaginário e a dimensão onanista. Em quarto lugar, há a salientar que a partilha das imagens e de outra informação na Internet suscita que sejamos pensados e olhados insistentemente pelo Outro. Em quinto lugar, as redes sociais inauguram um jogo de imagens e de despesa improdutiva, constituindo formas pós-modernas do Potlatch pré-moderno. Em suma, a cibercultura constitui o lugar de um nada que é tudo, essencial e matricial, pretexto e texto da reliance conectiva.

Habitar a Web: paisagens e nuvens da cultura digital

O mundo da web representa um receptáculo formando uma paisagem do imaginário social onde nos podemos aperceber das transmutações culturais e da proliferação de imagens, mitos e ícones próprios dessa efervescência digital. No seio dos meandros desta paysagéologie, é possível observar vários sentidos e traços salientes do nosso modo de habitar a web. Como podemos então viver neste mundo sócio-digital? Quais são as formas de habitação e de expressão desta socialidade em linha? Da entrada em linha da vida quotidiana, cada vez mais activa no ágora da Internet, às várias maneiras pelas quais a persona digital se dá a exprimir e contribui para a formação de nuvens culturais; das bolhas sensíveis contaminando a viagem neste universo, à mitografia das figuras que emergem como protagonistas da cena social digital. Tudo isto são coisas através das quais podemos tentar marcar e iluminar a irradiação da nossa persona no quadro da sua estratégia conectiva que, na complexidade desta paisagem, dá forma e substância ao seu ser existencial.

Um manifesto pela Re-informação: reescrevendo direitos intelectuais no contexto digital

A Eletroescritura constitui-se em uma disciplina emergente gerando teorias, práticas e aplicativos para computadores que transformarão continuamente a escrita. Os textos, tradicionalmente considerados como objeto fechados, tornaram-se matéria potencial para a re-informação, matrizes para a inter-relação e a recombinação. A escrita, e por extensão o pensamento - seja desenho, expressão, arte, arquitetura, computação, economia ou filosofia - serão cada vez mais entendidos como processos dialógicos conjugando habilidades humanas e processos maquínicos. Os processos eletroescriturais farão uso tão intenso de estruturas de dados que tanto a criação quanto a invenção serão pensadas e atualizadas como processos de re-informação. Deste modo, os eletroescritos utilizarão crescentemente material proprietário, em sistemas de geração de informação, desafiando a base teórica da propriedade intelectual e dos direitos de autor. Os textos, enquanto entidades informacionais, terão que se tornar interconectáveis e legalmente livres para interagir, para que novas propostas possam ser concebidas ou maquinicamente construídas.

Sobre cyborgs, cartografia e cidades: algumas reflexões sobre teoria ator-rede e cibercultura

Esse artigo propõe aplicar a teoria “Ator-Rede” (Actor-Network Theory - ANT) à análise de alguns fenômenos da cibercultura. Por ser um arranjo (econômico, social, político, comunicacional) específico da relação entre dispositivos técnicos, redes e sociedade, a cibercultura é um campo privilegiado para a aplicações dessa teoria. Ela oferece uma visão do social que permite tratar fenômenos diversos a partir da identificação de formas de mediação que se estabelecem na associação entre atores humanos e não-humanos, tratando as conexões, mediações, traduções, descrevendo as ações antes de enquadrá-las em “frames” teóricos ou interpretativos. O social é aquilo que resulta dessas associações e não o contrário. Para tanto, analisamos aqui o carro ciborgue da Google, as novas cartografias colaborativas com mapas digitais e os rastros das redes sociais online nas cidades.

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