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RCL 41 _ Design

O Design como Ideologia

A palavra «design» hesita entre duas tensões: por um lado, o «puro desenho», isto é, a pura forma estética do produto e, por outro, o design como elaboração de princípios essenciais – o código genético – de um organismo. Afinal, talvez estes dois pólos estejam fundamentalmente ligados e essa ligação seja testemunha do poder crescente do design mas também da sua importante responsabilidade ética: o design é portador de muito mais desafios do que se poderia supor. E esta responsabilidade é antes de mais matéria ideológica. O que pressupõe, tal como aqui se defende, que a dimensão estética (ou simbólica) não é acessória ao valor de uso do produto, pelo contrário, o valor de uso é que é a «vantagem acessória» de um objecto inútil. Na contemporaneidade, a qualidade «estética» não-funcional do objecto fabricado é primordial e a sua eventual utilidade vem só depois, o que significa que esta tem o estatuto de um derivado, algo que parasita a sua função primeira. Posto noutros termos, a definição contemporânea do homem não deveria mais ser «o homem é um animal que fabrica ferramentas» mas sim «o homem é um animal que «designa» as suas ferramentas».

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