RCL 41 _ Design

Ideologia

O Design como Ideologia

A palavra «design» hesita entre duas tensões: por um lado, o «puro desenho», isto é, a pura forma estética do produto e, por outro, o design como elaboração de princípios essenciais – o código genético – de um organismo. Afinal, talvez estes dois pólos estejam fundamentalmente ligados e essa ligação seja testemunha do poder crescente do design mas também da sua importante responsabilidade ética: o design é portador de muito mais desafios do que se poderia supor. E esta responsabilidade é antes de mais matéria ideológica. O que pressupõe, tal como aqui se defende, que a dimensão estética (ou simbólica) não é acessória ao valor de uso do produto, pelo contrário, o valor de uso é que é a «vantagem acessória» de um objecto inútil. Na contemporaneidade, a qualidade «estética» não-funcional do objecto fabricado é primordial e a sua eventual utilidade vem só depois, o que significa que esta tem o estatuto de um derivado, algo que parasita a sua função primeira. Posto noutros termos, a definição contemporânea do homem não deveria mais ser «o homem é um animal que fabrica ferramentas» mas sim «o homem é um animal que «designa» as suas ferramentas».

There is Such a thing as society

Em 1987, em entrevista à Woman’s Own, Margaret Thatcher declarava que «There is no such thing as society». Uma maioria de trabalhos de design dos anos 1980 confirmavam este alheamento das questões sociais e políticas. Recordando o manifesto First Things First, escrito pelo designer britânico Ken Garland em 1964, Andrew Howard defende a necessidade de o design contemporâneo conciliar preocupações formais, incluindo experimentação de meios e linguagens, com o desenvolvimento de um projecto de maior duração sensível a preocupações políticas e sociais.

Será que o design ainda precisa de designers?

O acto criativo está hoje nas mãos do consumidor, e particularmente em quem consome e produz em simultâneo, apropriando, partilhando, oferecendo, reinventando. Manter o design sob tutela exclusiva dos designers seria provavelmente, nos dias que correm, o maior dos equívocos, o acto mais anticriativo da sua História.

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