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RCL 39 _ Fotografia(s)

A fotografia depois da fotografia

O advento da digitalização e a consequente «des-temporização» da imagem e o privilégio dos modos de imediatez técnica diminuíram a ligação histórica entre a fotografia química e o acontecimento. Isto gerou um discurso pós-documental na mais recente teoria fotográfica que enfatiza a necessidade da fotografia em aceitar um certo «atraso», em aceitar o abandono do ideal histórico da «fotografia-do-evento» em favor de uma sub-reptícia «fotografia-depois-do-evento». Um das consequências disto foi um renovado envolvimento com as possibilidades metafóricas do fotográfico, dada a mudança de ênfase, na prática digital, da indexicalidade para a construtividade. Neste ensaio sustento que houve duas respostas a este movimento: uma posição de «retorno» e uma posição critica e dialéctica. Por um lado, o «atraso» que enfatiza a digitalização como o espaço para a reconstrução «ficcional» ou para a contemplação do acontecimento (e portanto como uma viragem no sentido da «fotografia-como-pintura-por-outros-meios») e, por outro, um «atraso» através do qual a crise do acontecimento, quando filtrada através da crise da ainda mais antiga prática documental, liberta o acontecimento para uma refiguração política e para a sua reinscrição (como nas possibilidades semióticas «perdidas» do foto-livro modernista). Assim, o que está em causa é o modo como, e com que meios formais, pode a política da verdade fotográfica emergir da refiguração digital do acontecimento.

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