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RCL 39 _ Fotografia(s)

O que Aconteceu à Fotografia Urbana?

A «street photography» foi o modelo que liderou a fotografia urbana desde os anos 30 até aos anos 60. O equipamento era constituído por uma câmara de pequeno formato que permitia uma confrontação directa. A fotografia apresentava-se como um modelo do olhar de mestre do fotógrafo capaz de apanhar o que Cartier-Bresson designou como o «momento decisivo». Resultava num estilo dinâmico, caracterizado por composições desequilibradas, enquadramentos fora do usual, desfocagem do movimento e distorções na perspectiva. Resumindo, o género estava perfeitamente adaptado à metrópole moderna que fora definida como o reino das contingências (Baudelaire) o lugar da hiperestimulação (Simmel) ou o lugar para a interiorização da experiência do choque (Benjamin). No final do século XX, pelo contrário, os fotógrafos mais proeminentes da fotografia urbana inclinaram-se preferencialmente para uma aproximação mais topográfica, que mudou a reacção espontânea ao encontro com a cidade para um registo mais distanciado e calculado da paisagem pós-urbana. Sem dúvida que tudo isto foi o produto de mudanças na própria paisagem urbana. A partir dos anos 80, os fotógrafos redescobriram a fotografia de rua, mas (nos casos de Jeff Wall, Nikki Lee, Joel Sternfeld, Philip-Lorca diCorcia ou Shizuka Yokomizo) subvertendo as suas características tradicionais: os acontecimentos são encenados, os seres humanos são componentes esculturais de uma performance e as imagens são sujeitas a um processamento digital. 

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