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RCL 39 _ Fotografia(s)

Mesmerismo, Fotografia, e Nathaniel Hawthorne

Mesmerismo e fotografia foram duas obsessões de Hawthorne, e os críticos empregam frequentemente estas práticas como metáforas para descrever a sua concepção do género «romance». Poucos salientaram, entretanto, que existe uma conexão intrínseca entre mesmerismo e fotografia no próprio trabalho de Hawthorne. J. Gill Holland aproximou-se um pouco mais ao sugerir que as especulações do escritor sobre a possibilidade de fotografar a alma podem ter sido inspiradas pelos estudos fisiológicos do século XIX, tais como os de Emil du Bois-Reymond, que concebeu as sensações como impulsos eléctricos. Uma conexão mais óbvia é que o mesmerismo transformou o corpo num medium óptico ao fornecer imagens com uma espécie de presença viva independente do corpo. Ao mesmo tempo que o dispositivo fotográfico se provou capaz de receber e armazenar informação que estava para além da percepção visual, o mesmerismo possibilitou o «segundo sentido», penetrando a aparência exterior das coisas; ao mesmo tempo que a fotografia permitia a proliferação de imagens espectrais, o mesmerismo fragmentou a identidade através da criação de personalidades divididas e duplos mesméricos. A obra de Hawthorne ilustra repetidamente estas ligações entre mesmerismo e fotografia e qualquer destas práticas surge como potencial ameaça à integridade e autonomia do indivíduo.

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