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RCL 39 _ Fotografia(s)

Imagens de lamentação, imagens lamentáveis?

Imagens da lamentação, imagens lamentáveis? Em que pé estamos hoje? As técnicas da imagem sofreram uma enorme evolução, a sua circulação multiplicou-se de maneira vertiginosa e a escala de indiferença dilatou-se por isso ainda mais. Mas o debate de fundo continua inalterado. Quanto mais a actualidade se mostrar espectacular e intrusiva, mais ela suscitará na maioria dos espectadores um recuo de indiferença e um sentimento de «virtual»; quanto mais as vítimas atulharem a informação, mais fácil se tornará a amálgama entre o civil assassinado e o ferido num acidente de viação, isto é, o descartar de qualquer análise política; quanto mais a câmara se aproximar de um corpo de dor, mais obscena se tornará a sua captura pelo grande plano; quanto mais se quiser enquadrar a singularidade, mais se esquecerá o «fora de campo» da história, que é a mais manifesta forma de perder a singularidade; quanto mais se quiser fazer imagens, mais se fabricarão ícones. Neste artigo pretende-se abordar criticamente alguns dos clássicos da teoria da fotografia, como Barthes e Sontag, evidenciando a forma como por vezes reduzem, de forma simplista, as «imagens da lamentação» às estratégias encenatórias, revelando por vezes essa atitude de «indiferenciação» perante imagens de forte carácter político e que são, num certo sentido, «inolháveis».

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