Home Edições RCL 39 _ Fotografia(s) Ontologia A síndrome de Bartleby e a fotografia de família

RCL 39 _ Fotografia(s)

A síndrome de Bartleby e a fotografia de família

A contemporaneidade tem valorizado o objecto fotográfico vernacular e os discursos privados e heterogéneos que se lhe associam, alertando para a complexidade desses objectos cuja compreensão se afasta da evidência mimética ou factual operada pelo medium fotográfico. Uma complexa rede de intenções e significados é associada à fotografia privada, representações capazes de proporcionarem identidade e reconhecimento sociocultural. O carácter pungente e a inevitabilidade de um retrato fotográfico parecem-nos próximos de uma personagem da literatura oitocentista: Bartleby. Procuraremos suavizar essa inevitabilidade barthesiana assumindo a «não-resposta» dessa personagem literária como motivadora da participação e responsabilidade do leitor. Se Bartleby se aproxima do fotográfico, precisamente, na reprodutibilidade do discurso e inevitabilidade da morte, afirmamos que a fotografia permanecerá fixa e inalterável, mostrando sempre a mesma coisa, se não for acolhida, demoradamente percorrida e resgatada ao esquecimento. Ao olhar mobilizado e diligente sobre uma fotografia corresponderá, ainda, um movimento reflexivo e pensamento humanos. Sendo assim, o (re)conhecimento de uma imagem define-se através de um permanente jogo de montagem operado pelo sujeito, com base numa herança já adquirida e na sua actualização enquanto modo de sobrevivência, passagem e continuidade da imagem.

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