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RCL 38 _ Mediação dos Saberes

Usos e Dispositivos da Mediação

Sujeito no Texto: Sobre Auto-Experimentação e Reconstrução Narrativa

O artigo científico, ainda hoje a forma mais importante de tecnologia literária no mundo da investigação científica, aparece como uma manifestação exemplar da operação de dupla reconstrução narrativa -- das operações de pesquisa que geram resultados específicos e do modo como a história da disciplina ou especialidade científica a que essa pesquisa está associada é reescrita --, uma operação central para a legitimação de novo conhecimento. Este artigo explora o modo como o conhecido episódio de auto-experimentação que Barry Marshall levou a cabo para verificar a alegada relação causal entre infecção bacteriana e gastrite se tornou um elemento central da reconstrução narrativa da etiologia de patologias comuns da região gástrica e do próprio campo da gastroenterologia. Este caso suscita interrogações interessantes sobre os modos de objectivação da experiência do sofrimento e da sua inscrição em textos científicos enquanto recurso para a reconstrução narrativa.

Wishful Thinking ou Golpe de Misericórdia? A Wikipedia enquanto Nova Forma de Mediação dos Saberes

Por mais que deva assumir-se uma perspectiva crítica relativamente a conceitos como os de «sociedade da informação e do conhecimento» e «inteligência colectiva», é inegável a importância da World Wide Web como fonte de acesso à informação, nomeadamente a informação científica destinada ao público leigo. Tendo em conta a crescente importância da Wikipedia como ponto de partida privilegiado para esse objectivo, procura-se neste artigo avaliar algumas asserções que têm sido apresentadas em sua defesa, nomeadamente através de uma comparação do rigor científico e da clareza de algumas entradas das versões inglesa e portuguesa da Wikipedia.

O Alfabeto de Relações Universais (ARU)

Este artigo sugere a construção de um Alfabeto de Relações Universais (ARU) que possa ser utilizado em pesquisa qualitativa. Para tal, enquanto prolegómenos, o autor esquiça uma breve antropologia dos alfabetos no seio de diversas civilizações. Em segundo lugar, articula a pesquisa científica (e, em particular, a análise qualitativa de textos) à própria construção e desconstrução da linguagem científica. Em seguida, são passados em revista os diferentes mas complementares tipos de lógicas que esclareceram ou ensombraram a hstória do pensamento. Finalmente, apresenta-se uma das secções do ARU, o Alfabeto de Relações Interconceptuais (ARI). Trata-se de um alfabeto não constituído por letras mas por relações lógicas analíticas, no seio de dimensões estruturais ou conjunturais, e circunscrito em três línguas nacionais, Português, Francês e Inglês. Diversos exemplos simples de aplicação do ARI à análise de textos são mostrados, nas áreas da Sociologia e Literatura. Um tal dispositivo metodológico e técnico poderá ser integrado como um módulo de softwares de análise qualitativa de textos científicos ou narrativos.

Revelação e Ocultação: As Mediações na Cultura Visual Moderna

O observador moderno é uma criação da racionalidade instrumental moderna. Na época moderna uma série de instrumentos é criada para possibilitar novas formas de acesso a um mundo - infinitamente pequeno e infinitamente distante -- até aí invisível. O primeiro desses inventos foi o microscópio, na passagem do século XVI para o século XVII. A partir daí a capacidade para, instrumentalmente, manifestar o que se ocultava intensificou-se extraordinariamente. Este artigo é uma reflexão acerca dessas mediações instrumentais e do seu contributo na construção da cultura visual moderna.

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