RCL 37 _ Arte e Comunicação

Arte e Media

A obra de arte e o fim da era do singular

Em plena era da reprodutibilidade técnica, torna-se necessário afirmar com a maior das contundências o fim da obra como singularidade e daí extrair todas as consequências deste facto. É a isso que se propõe este artigo, onde são enumeradas as mais relevantes alterações para a própria concepção de obra de arte (o fim da arte como bem de mercado, o fim do «receptor» como sujeito individual, o fim do predomínio duma arte estática do espaço sobre uma arte contínua do tempo, o fim da estética como esfera separada do mundo da vida), bem como as resistências que fazem tardar a essa revolução estética em curso.

The B-Sides: Combinações algorítmicas e unicidade formal - a apologia da dissensão

Tal como na época analógica do vinil existiam os lados B para possibilitar a experimentação mais arriscada, também nas artes digitais, hoje, parece ser necessária a aproximação a esta noção para potenciar a descoberta de uma «outra» forma de intervir. Aquela que necessita estar longe da intensidade luminosa dos spotlights para, acima de tudo, poder continuar a existir.

Existem outra formas de olhar para o digital não integradas no âmbito da comunicação. Existem outras realidades que recusam a cesura pretensamente existente entre as práticas da arte contemporânea e as experimentações digitais. Essas, encontram o seu lugar numa localização transfronteiriça, carregada de impurezas, que lhes dão a possibilidade de sobrevivência, para lá, do mainstream deslumbrado da tecnologia. É desses exemplos que queremos falar, sem moralismos, apenas como obras que, ao integrarem a experimentação no seu âmago, por vezes são levadas a territórios aparentemente estranhos.

Como no caso do digital.

Tal postura só poderia, como é evidente, encontrar-se no lado B do vinil.

Por opção.

A rede e suas intermediações

Apesar da plasticidade de inter-mediações que a rede permite, apesar da sua heterogeneidade, o dispositivo digital ao deslinearizar as sequências narrativas, ao passar da estrutura algorítmica à da base de dados, nem por isso se assume como um procedimento de individuação forte. O leitor tende a ser formatado pelo dispositivo informático e será preciso todo um movimento no sentido da apropriação do dispositivo como escrituralidade para que esse processo individuante seja, efectivamente, levado a cabo.

Arte e media

Procura-se, nesta contribuição, avaliar algumas das razões e dos efeitos da actual centralidade da noção de medium nos debates acerca das relações entre arte e comunicação e entre arte e técnica, com destaque para a caracterização cada vez mais frequente da cultura e da arte contemporâneas como «pós-mediais» ou «transmediais».

Sugerindo-se um aprofundamento da noção de medium, que se interroga sobre a relação entre medium, forma e aparência, aponta-se o papel determinante do medium na produção da fenomenalidade do mundo e da arte.

Reality strikes again: Pequena digressão sobre a história do uso do termo "ciber" nas artes

Sempre que às artes tecnológicas é aplicado o prefixo «ciber», é inegável a influência, em maior ou menor grau, do subgénero da literatura de ficção científica conhecido como «cyberpunk». No entanto, quer artistas quer críticos — conhecedores da história da arte mas dificilmente da história da ficção científica — atribuem-lhe uma autonomia que obviamente não possui, como se tivesse surgido ex nihilo e, suspenso num limbo, não possuísse quaisquer relações de «filiação» ou de «afinidade» literária. Procurar-se-á nesta comunicação desfazer esse equívoco, enquadrando o cyberpunk no contexto mais alargado da história da ficção científica.

Navegação

Contacte-nos

icon-addressRevista de Comunicação e Linguagens
Centro de Estudos de Comunicação e Linguagens
Av. de Berna, 26-C, 5.º andar, sala 506
1069-061 Lisboa PORTUGAL

icon-phone(+351) 21 795 08 91

icon-fax(+351) 21 795 08 91

icon-emailEste endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.