RCL 37 _ Arte e Comunicação

Arte e Interactividade

Entrevista a Espen Aarseth

Por ocasião dos Encontros de Arte de Comunicação, Espen Aarseth, especialista em ludologia e em teoria do hipertexto, foi entrevistado por José Augusto Mourão e Patrícia Gouveia. Nesta entrevista, Aarseth põe a claro alguns dos conceitos que tem vindo a propor para os objectos que analisa, descrevendo também os seus actuais interesses de investigação.

A nova erótica interactiva

Proponho-me ensaiar neste estudo uma fundamentação do filme eXistenZ de David Cronenberg, não apenas como um jogo, mas igualmente como uma arte interactiva. Tomo como verosímil a suposição do realizador de que um programador de jogos pode ser um artista. E é meu entendimento que as imagens de eXistenZ sugerem a intrigante condição daquilo a que chamo uma nova erótica interactiva.

Narratividade vs. interactividade: Do linear ao multilinear

Neste artigo procurar-se-á discutir e problematizar o contexto da transição do analógico para o digital no quadro emergente de competências e de conceptualização não-lineares e multilineares, face à presença pouco permeável e territorial dos códigos convencionais da linearidade. Reflexão que tem em vista problematizar as lógicas de migração dos meios de comunicação de massa, do audiovisual e do seu discurso clássico, para o multimedia interactivo.

As incertezas da comunicação e as incertezas da arte

Este artigo centra-se no cruzamento — proposto no texto de apresentação ao colóquio para que foi originalmente escrito — entre «as certezas da comunicação» e «as incertezas da arte», mas sugerindo uma outra aproximação: cruzar as incertezas da comunicação com as incertezas da arte. É, pois, de incertezas que se tratará, rejeitando, desde logo, que seja por aí, pelas certezas da comunicação, que comunicação e arte se desencontram. O paradigma comunicacional institui uma crítica a dois «paradigmas da certeza»: pelo lado do sujeito, uma crítica às «filosofias da consciência» e, pelo lado da linguagem, uma crítica ao «paradigma proposicional». Relativamente à arte, a aproximação será feita por alguns quadros de Francis Bacon, onde há cortinas que escondem e mostram e onde há figuras que fogem e se dão a ver.

A lógica da interactividade sugerida pelos media digitais permitirá ainda este jogo de ficção? Haverá ainda cortinas ou, pelo contrário, o encontro será tendencialmente fusão, anulando assim a tensão entre quem mostra ou o que é mostrado e quem vê?.

Visibilidades artísticas e vigilâncias quotidianas: Arte e sociologia no contexto dos dispositivos pós-panópticos e inter-panópticos

Inéditos modos de interactividade circulam nos regimes de visibilidade e de vigilância operantes na cena contemporânea e, em particular, no seio das mais recentes formas de panoptismo. Esta reflexão sugere uma sociologia das visibilidades articulada à prática da interactividade no campo da arte. Uma tal estratégia revisita o conceito de «sociólogo-artista», e produz géneros sócio-artísticos como o proto-hipertexto e a anti-realidade-virtual, viajantes tanto no ciberespaço quanto no cibertempo. Na nossa era da inter-modernidade e do presente-pressente, a sociologia do panoptismo circunscreve diversos níveis da sociedade onde emergem figuras genuínas de panoptismo: o panoptismo moderno, o pós-panoptismo, o inter-panoptismo e o contra-panoptismo. Estas formas de visionamento do social envolvem os actores sociais comuns, as instituições vigilantes, os autores e os meta-autores individuais e colectivos.

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