RCL 36 _ Retórica

Ensaios

Para uma filologia sociológica: Análise das mutações discursivas da imprensa inglesa no século XIX

O conceito de discurso é geralmente de índole linguística e é empregue para descrever fenómenos ligados à linguagem. O objectivo fundamental deste artigo é propor uma definição sociológica deste conceito que remeta para um espaço multitextual, designando assim um objecto que lhe seja próprio e não uma realidade linguística. Partindo desta definição, a presente exposição procura contribuir para uma teoria sociológica da interpretação textual. Uma filologia sociológica só pode ser desenvolvida se for colocado de parte o aspecto linguístico dos textos em benefício de uma concentração na sua dimensão positiva. Além disso, a sociologia deve dar uma atenção muito particular à relação entre o texto e a ampla realidade a que se chama «contexto». Para ilustrar o uso desses procedimentos hermenêuticos, este artigo apoia-se nos trabalhos da sociologia do jornalismo e em particular num estudo sobre o nascimento do jornalismo em Inglaterra que mostra como, desde os meados do século XIX, uma conjunção de factores engendra transformações discursivas de fundo na imprensa inglesa que conduziram à formação de um campo de produção discursiva marcadamente autónomo do mundo político: o campo jornalístico.

A representação da fala em literatura como processo mimético

Embora a escrita padrão imponha limites à representação literária da fala, particularmente em suas modalidades não padrão, as técnicas de dialeto literário permitem criar representações esteticamente válidas de dialetos regionais ou sociais, bem como de linguajares híbridos ou sotaques forasteiros. A compreensão cabal de tais modalidades representativas, bem como de suas implicações cognitivas ou sociais, requer noções de linguística, dialetologia e sociolinguística.

O problema realmente difícil: Consciência, gnose e os limites da explanação»

Meio século depois do existencialismo, há hoje uma renovada vontade de reflectir sobre o fenómeno dos qualia da consciência, o «difícil problema», como lhe chama David Chalmers. A investigação é agora conduzida pela filosofia da mente e pelas mais diversas ciências da cognição, todas em busca de uma explanação da consciência. Contudo, aquilo de que necessitamos não é uma explanação mas sim uma apreciação dos limites de qualquer explanação e do carácter paradoxal da consciência, isto é, não a inteligibilidade mas sim o sentido. Tal foi também a busca que empreenderam os gnósticos -- desde que tenhamos em conta a sua terminologia estritamente religiosa --, algo que só pode ser alcançado se nos libertarmos relativamente a qualquer quadro explanatório, se nos interessarmos por todas as representações não privilegiando nenhuma. As nossas representações do mundo revelam ao mesmo tempo que ocultam -- explanar o ser enquanto facto ou explaná-lo enquanto acontecimento conduz a descrições incompatíveis da mesma realidade --; a gnose (e a filosofia de Heidegger foi de certa maneira uma forma moderna de gnose) pode muito bem ser aquilo que permite atingir uma aproximação mais estreita a essa interacção entre inteligibilidade e sentido.

Conhecimento de re e conhecimento de dicto na narrativa ficcional

O autor trata de diferenciar o conhecimento de re do conhecimento de dicto, chegando à conclusão de que, na narrativa ficcional, o conhecimento de dicto, que carece de verdadeira base referencial e não é susceptível de quantificação existencial, e o conhecimento de re in absentia se podem prestar facilmente a confusão, o que permitirá, até certo ponto, identificar o conhecimento de dicto ficcional com o conhecimento de re in absentia veiculado de dicto.

Retórica do hipertexto

Os níveis de interacção e de colaboração coabitam desde sempre no espaço literário. O novo continuum de leitura-escrita inaugurado pela hipertextualização e pela geração automática de textos veio redefinir parâmetros nunca experimentados. O que é que pode significar «ficção interactiva», e que implicações tem para o significado e para a teoria da ficção? A retórica do hipertexto é uma retórica dinâmica perceptível na interacção entre lapsus linguae (erro de linguagem), calami (erro de escrita) e lectionis (erro de leitura). Enumeram-se aqui, num primeiro momento, algumas das figuras retóricas hipertextuais e, num segundo momento, a retórica como estratégia de comunicação.

A dimensão imagética da metáfora

Este texto pretende pensar o estatuto semiótico da metáfora, apontando para um regime semiótico misto que alia a linguagem à imagem. Discute-se aqui a relação estreita que a linguagem estabelece com a imagem, quer no próprio entendimento dos sistemas semióticos, quer em certas praxes enunciativas como a ekphrasis e, por último, a metáfora. A metáfora é entendida não como excepção à regra ou desvio estilístico mas como formação significante recorrente e sistemática, presente tanto nos processos de conhecimento como na própria formação dos conceitos filosóficos.

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