RCL 34-35 _ Espaços

Outros espaços

Espaços outros

Nesta conferência de Michel Foucault, proferida em 1967, apresentam-se os esboços seminais de uma história do espaço na experiência ocidental. Mais concretamente, daqueles espaços (o termo de Foucault é «colocações» [emplacement]) que têm a curiosa propriedade de estar em relação com todos os outros, mas modificando-os na sua função original. Foucault prossegue descrevendo e enumerando algumas destas «heterotopias», como o sejam as instituições fechadas como prisões e casas de repouso, mas também o cemitério, o jardim, e outras, cuja ligação fundamental ao tempo faz com que venham associadas a «heterocronias», caso dos museus e bibliotecas.

Corpo, extensio: Uma cartografia segundo HUGO

O Projecto Genoma Humano, sob coordenação internacional da Human Genome Organisation (HUGO) compreende o mapeamento e a sequenciação dos genes. A genómica exprime uma tentativa de espacializar o desenrolar da vida biológica no tempo. De facto, cartografa-se um território, não o decurso temporal de uma vida. A cartografia genética, e a possibilidade de recriação demiúrgica da vida, é estruturada por uma metáfora que evoca a expedição geográfica de descoberta, exploração, ocupação e conquista de um território. Ela possui um lado luminoso, mas também um lado negro que alude ao perigo do eugénico. A recriação genética da humanidade não é já da ordem da utopia que actua no tempo, mas da heterotopia que actua no espaço.

A habitação do limite: Notas para uma topologia do sacrificial

Na sua origem, sempre enigmática, «arte» expõe-nos aos limites. É ela própria aquilo que inicia, o impulso que se auto-inicia dando-se sem fim. «Arte» é, a cada vez, a criação da sua possibilidade, do seu lugar, do seu acontecimento, cujo limite seria re-encenar o ter-lugar da criação do mundo. Ao expor-nos aos limites, é necessário que se abra um «espaço do tempo», i. e., é preciso um espaço e o tempo (leva tempo; toma espaço). Se a nossa civilização se construiu contra o tempo (o sentido último da tecnologia é desligar o tempo do espaço, des-solidarizando-os), tudo fica abandonado a si próprio, sem um tempo que seja seu, sem um lugar que lhe seja íntimo. Desenha-se o pior dos abandonos: o homem abandona o mundo e abandona-se a si próprio. «Arte» deve portanto conduzir à abertura desse espaço de tempo, a esse espaçamento do tempo onde o tempo tem lugar, onde o humano pode receber o dom que é o a manifestação.

Espaço, design e poder: Notas sobre a tecnologia do quotidiano

A Cultura Moderna teceu uma separação fundamental entre o campo da arte e o campo da tecnologia. A contemporaneidade é depositária desses dois territórios culturais distintos: um científico, quantificável, hard; outro estético, soft. O design, tal como foi pensado por William Morris, é a disciplina que opera a tensão entre os dois territórios, dando lugar a um Design Total, expressão de um funcionalismo, progressivamente radicalizado, que se vai aplicando ao espaço, aos objectos, à vida.

Um jardim abandonado que desbota

A noção que temos hoje de espaço é recente, decorrendo da transição dum meio tradicional para o meio funcional da técnica, dominado pelas funções de uso e posse. Especial importância têm nesta alteração de contexto as tecnologias do som. As invenções no domínio do som, que começaram a surgir ainda no século XIX, não só alargaram o campo do audível — de que são exemplo invenções como a do estetoscópio — como conduziram a uma privatização do espaço acústico e a uma «mercantilização» do som. Estava aberto o caminho para a manipulação e disseminação do som, que assim se tornou instrumento do poder, relembrando advertências tão antigas como a que Platão fizera n’A República.

Em espaços diferentes: Interpretando a organização espacial das sociedades

Discute-se neste texto, originalmente apresentado no Space Syntax 3rd International Symposium, a evolução recente da Geografia enquanto ciência, desde a euforia inicial, em meados do século XX, com a aplicação das técnicas de análise matemática, até à percepção de que estas são demasiado limitadas perante a multiplicidade e incontrolabilidade das variáveis presentes nos ambientes humanizados. Ainda que desprovidas deste rigor matemático, as contribuições de correntes como o marxismo, os estudos pós-colonialistas e, de forma decisiva, de autores como Henri Lefebvre e Anthony Giddens, vieram a revelar-se fundamentais para devolver à Geografia a relevância do homem na definição dos espaços onde vive.

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