RCL 34-35 _ Espaços

Artes do espaço

Arte e espacialidade internalizada: Estratégias endógenas de sobrevivência

A condição de totalização imposta pelo pansistema (ou o que se lhe quiser chamar) que, hoje, se difunde pela globalidade do planeta, torna equívoca qualquer abordagem que não tome em consideração a espacialidade internalizada a que se encontra sujeita. Pela primeira vez a crítica é possível, somente, em condições internas. A exterioridade necessária à emancipação encontra-se criogenizada. Pelo menos por agora.

Este texto propõe-se analisar as condições de transformação que tornaram possíveis tal estado de coisas, desde a tentativa de anulação da ideologia — o carácter generalizador do pós —, até à actual preponderância de um sistema sensológico de regulação: a mediacracia. A estratégia só pode ser explosiva, no sentido da fragmentação expansiva e arrasante, que reduz a existência a uma espécie de esquizofrenia social, emparedada temporalmente num presente sem passado e sem futuro, como tal, eterno.

Como se relaciona a arte em tais condições de domesticação? (o espaço é tornado doméstico a partir do seu controlo). A mediacracia gera, inevitavelmente, a media art, não uma arte dos media, antes, uma arte das cumplicidades. Mas produz, também, anticorpos que reafirmam estratégias de resistência; que têm de ser, obrigatoriamente, adequados à nova situação de interioridade e, como tal, longe das dualidades romantizadas da negação, mas conscientes da sua contingência. Como Bartleby, o herói anti-trágico de Melville, colocado numa zona intersticial entre os pólos da vontade e do dever, opta pela repetição exaustiva de um enigmático: preferia não fazer.

Entre o que queremos e o que devemos a opção passa, hoje, por aquilo que podemos.

Lugares (in)comuns: A lógica dos espaços alternativos na ficção científica de Philip K. Dick

Pretende-se neste artigo averiguar, tanto do ponto de vista interno à narrativa quanto daquilo que daí pode ser extrapolado para o universo do leitor, se na obra de Philip K. Dick é possível discernir alguma lógica que regule a escolha de diferentes localizações espaciais e os percursos das personagens por estes espaços. Concentrando-nos especialmente em The Unteleported Man/Lies, Inc., procura-se demonstrar que a presença de «espaços alternativos» é condição essencial para o desenrolar da narrativa, havendo no entanto uma permanente indefinição — intencionalmente procurada por Dick — quanto ao estatuto e aos limites destes mesmos espaços.

No espaço nomeado de Mark Rothko

Em Mark Rothko, a imagem serve como forma de produção do acto reflexivo, como materialização da imagem primeira da sua consciência. Tem assim um carácter encantatório: é nomeada para se dar, no acto mesmo da imagem, como a coisa encontrada no conhecimento. Em Cena Rural, pintada em 1936 nos Estados Unidos da América, o objecto metafórico é a casa, imagem-fantasma do seu «devir-criança» ainda em Dvinsk, na Rússia. Aí, o vermelho é, por via do jogo de luz e sombra que faz com que surja quer como branco quer como preto, vermelho de carne, de sensação, permitindo manifestar um conjunto irreal de objectos que jamais foram vistos, nem se verão jamais, mas que se manifestam através da tela num acto de nomeação.

O espaço-limite da arquitectura

Ainda que a consciência do espaço em arquitectura seja relativamente recente, a teoria arquitectónica do século XX viria a considerá-lo como a sua essência, levando-o conceito a uma exaustão que quase o conduziu à perda de significado. Em contrapartida, o conceito de limite tem um vínculo originário ligado ao acto de fundação da arquitectura. Da conjunção de ambos os conceitos ressalta uma unidade indissociável, um acontecimento sincrónico que designaremos por um só conceito unificador como espaço-limite, cujas categorias se referem tanto ao sentido ontológico da existência e da origem da forma como ao lado formativo fenomenológico e metafísico do limite que define o espaço arquitectónico. Ao transpor as categorias filosóficas do parecer, do aparecer e do ser, reconhecemos três estratos de fenómenos que identificamos com as categorias do espaço-limite — aparência, emergência e latência, objecto em análise neste artigo.

Projecto crítico: Um papel para a teoria na prática da arquitectura contemporânea

Entendida a arquitectura não como mera «arte de organizar e construir espaços» e sim como conceptualização e partilha de «formas de vida», somos forçados a reavaliar a relação entre teoria e prática nesta área do saber. Nesse sentido, é crucial a compreensão da transição entre modernidade e pós-modernidade, na medida em que, se na modernidade a arquitectura se conformou a uma linguagem totalitária, com o pós-modernismo assistiu-se a um processo complexo que comportou efeitos culturais profundos. De entre estes destaca-se uma nova percepção da arquitectura como artefacto cultural capaz de auto-reflexivamente articular uma teoria através das suas práticas e não como simples expressão de uma técnica destinada a cumprir uma função.

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