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RCL 34-35 _ Espaços

Transformações do espaço

Pensar o espaço

Ao substituirem um sistema simbólico de representações por um sistema matemático e, em última instância, geométrico, foram os gregos da Antiguidade quem cunhou a ideia de espaço, uma das categorias com maior relevância no pensamento ocidental. Nestes é possível já identificar um sistema orgânico de estruturação do espaço que conduzirá muito mais tarde, com Isaac Newton, à ideia de «espaço absoluto», que Lessing irá transpor para o campo estético como a diferença entre artes do espaço e artes do tempo.

Na nossa época, com a emergência das geometrias não euclidianas, da mecânica ondulatória e da teoria da relatividade e, no campo específico das artes, com a invenção do cinema, a separação entre as representações do espaço e do tempo não pôde deixar de colocar-se de forma cada vez mais intensa como algo de inadequado. Resulta daí a emancipação das representações ilusionistas, que dá lugar na arte à construção do espaço enquanto entidade sensível e intelectual completamente autónoma.

Do espaço teológico ao ciberespaço

O espaço teológico designa tanto o Reino como a presença (shekhina) inelidível (dos místicos) ou a presença evasiva (dos filósofos). Adivinhamos esse espaço na curva em forma de espiral que as topologias respectivas das metáforas que o espaço teológico de Jo 20 e o ciberespaço (gnóstico) de Matrix. desenvolvem. O espaço teológico foi de algum modo absorvido pelo ciberespaço, que secularizou a ideia medieval de ubiquidade, por exemplo. A tecnognose criou uma forma heterogénea para a localização de Deus. Que de comum navega entre o paradigma teológico e o ciberespaço em que a espacialidade de Deus ou do Arquitecto se presentifica?

Transformações de espaços

A realidade apresenta-se aos humanos como matéria e imatéria, ou seja, componentes objectivos materiais e sinais concretos imateriais. Os objectos preenchem o espaço real e manifestam-se em fenómenos. Estas configurações dinâmicas formulam-se por modelos científicos transformados em diversos espaços imagem, que permitem processar as complexidades de maneira simples e obter resultados certos por transformações inversas para o mundo actual. O mesmo princípio das transformadas de espaços serve de base à análise da interface corpo-mente entre o cérebro e o espaço mental, bem como a mente-alma para o espaço transcendente da alma ou daí para o espaço sagrado. Trata-se de estender à metafísica os conceitos de sobreveniência e subveniência desenvolvidos na ciência cognitiva.

Do espaço da física clássica ao espaço das redes

No ano de 1736, com a análise de L. Euler ao famoso «problema das pontes de Königsberg», assiste-se ao nascimento de um novo conceito de espaço, um espaço discreto apenas composto por nós e ligações. É este, na sua essência, também o espaço das redes, que se presta a uma tematização por parte da teoria dos grafos, inicialmente euleriana mas actualmente devedora das propostas de P. Erdös e A. Barabási, entre outros. Analisam-se neste artigo alguns dos conceitos e resultados fundamentais das teorias dos grafos e das redes, dando particular atenção ao actual fenómeno das redes de comunicação, de que é exemplo a World Wide Web.

Representar os novos lugares

Nos últimos anos, com a emergência mundial das nets e das webs, vários padrões da economia material/tradicional foram alterados, e observam agora um processo de desenvolvimento e estabilização. Interessam-nos aqui alguns elementos que suportam e dão corpo àquilo que veio mais recentemente a chamar-se uma «economia da atenção». Apesar de inaugurada industrialmente pelos media de massa, talvez já desde os anos 60, o processo em que se constituíu esta «economia da atenção» reside basicamente nos seguintes factos:

  1. Enquanto no mercado tradicional é o perfil de necessidades que orienta o consumidor — ele procura aquilo de que necessita — então o sucesso do produto ou do negócio é aferido pela adequação e concretização (em quantidade ou qualidade) de necessidades que satisfaz.
  2. Hoje, numa sociedade de oferta em excesso, e na qual a maior parte das necessidades básicas, e não só, estão satisfeitas, outro factor se assumiu como motor desta nova economia: a atenção — a quantidade e qualidade das atenções recolhidas por um determinado produto — é o que o coloca no ranking de valor no mercado da nova economia, porque é a quantidade e qualidade de atenção que a audiência disponibiliza que se constitui como bem mais raro e apreciado.

Espaço navegável

A par das bases de dados, o espaço navegável constitui uma das formas essenciais dos novos media. É já uma forma aceite de interacção com qualquer tipo de informação; é uma interface usada em jogos de computador e simuladores de movimento e, potencialmente, em qualquer tipo de utilização informática. Por que razão a cultura informática espacializa todas as representações e experiências (a biblioteca é substituída pelo ciberespaço; a narrativa é assimilada a um percurso espacial; todos os tipos de informação são representados a três dimensões nas visualizações em computador)? Deveremos opor-nos a esta espacialização (i. e., o que será do tempo nos novos media)? E qual a estética da navegação através do espaço virtual?

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