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RCL 33 _ Corpo, técnica, subjectividades

Cinquenta e oito indícios sobre o corpo

O corpo é material, não está vazio. É longo, largo, alto e profundo. Um corpo é imaterial. É um desenho, é um contorno, é uma ideia. É a forma da forma, a forma da alma. O corpo é visível, a alma não. O corpo é também uma prisão da alma. O corpo pode fazer-se falante, pensante, sonhador e imaginador. O corpo é como um puro espírito, é um invólucro, é uma prisão ou um deus. Não há meio-termo. O corpo é um cadáver ou é glorioso. O corpo é simplesmente uma alma. Um corpo é uma diferença. Se o homem é feito à imagem de Deus, então Deus tem um corpo. Talvez seja mesmo um corpo, ou o corpo eminente entre todos. O corpo do pensamento dos corpos. O corpo exprime o espírito, quer dizer, fá-lo jorrar para fora, espreme-lhe o sumo, fá-lo suar, arranca-lhe centelhas e atira tudo para o espaço. Um corpo é uma deflagração. Porquê indícios? Porque não há totalidade do corpo, unidade sintética. Há peças, zonas, fragmentos. Corpo tocado, tocante, frágil, vulnerável, sempre mutante, fugidio, inabordável, evanescente sob a carícia ou sob o golpe, corpo sem revestimento, pobre pele estendida numa caverna onde tremula a nossa sombra...

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