RCL 33 _ Corpo, técnica, subjectividades

Ensaios

Cinquenta e oito indícios sobre o corpo

O corpo é material, não está vazio. É longo, largo, alto e profundo. Um corpo é imaterial. É um desenho, é um contorno, é uma ideia. É a forma da forma, a forma da alma. O corpo é visível, a alma não. O corpo é também uma prisão da alma. O corpo pode fazer-se falante, pensante, sonhador e imaginador. O corpo é como um puro espírito, é um invólucro, é uma prisão ou um deus. Não há meio-termo. O corpo é um cadáver ou é glorioso. O corpo é simplesmente uma alma. Um corpo é uma diferença. Se o homem é feito à imagem de Deus, então Deus tem um corpo. Talvez seja mesmo um corpo, ou o corpo eminente entre todos. O corpo do pensamento dos corpos. O corpo exprime o espírito, quer dizer, fá-lo jorrar para fora, espreme-lhe o sumo, fá-lo suar, arranca-lhe centelhas e atira tudo para o espaço. Um corpo é uma deflagração. Porquê indícios? Porque não há totalidade do corpo, unidade sintética. Há peças, zonas, fragmentos. Corpo tocado, tocante, frágil, vulnerável, sempre mutante, fugidio, inabordável, evanescente sob a carícia ou sob o golpe, corpo sem revestimento, pobre pele estendida numa caverna onde tremula a nossa sombra...

Do corpo protésico ao corpo híbrido

Quando o pensamento contemporâneo faz do corpo o tema de eleição, de que corpo está a falar? É que se desenham duas vertentes de abordagem do corpo, uma que o desmaterializa no cyborg, a outra que o considera como carne capaz de incorporar o estranho, a tecnologia, transformando-se num corpo híbrido.

Ao corpo revém, portanto, esta faculdade de incorporação, capacidade em aberto que permite um campo inexpugnado e inexpugnável de mutações. O corpo passa a ser uma ideia construída, uma elaboração conceptual onde os avanços na ciência e na técnica precisam de ser tidos em conta.

A experiência técnica

Este texto situa a técnica no quadro de uma abordagem antropológica e histórica da experiência. A tecnicidade surge assim enquanto uma forma específica de racionalidade, como uma sabedoria prática comprometida com a procura das soluções possíveis e oportunas para os problemas particulares com que o homem se depara em cada circunstância, racionalidade que o habilita a fazer as escolhas adequadas, quer no domínio da acção quer no domínio do discurso.

É, por conseguinte, sobre o fundo de uma teoria da experiência que o autor procura definir a natureza da tecnicidade moderna, mostrando nomeadamente como os processos paradoxais de autonomização do sujeito e de constituição do público, a que está associada, ao contrário do que pretendem as actuais leituras apocalípticas pós-modernas, não pode deixar de revelar e de explorar as potencialidades inerentes à própria racionalidade técnica.

O corpo na teoria antropológica

Resumo indisponível.

O corpo como acessório da presença: Notas sobre a obsolescência do homem

Nas nossas sociedades contemporâneas, uma forma de dualismo opõe o indivíduo ao seu próprio corpo. Este texto evoca um imaginário do desprezo, hoje em dia bastante poderoso, que faz do corpo um mero acessório da presença.

Objecto modulável, destituído de qualquer valor ontológico, chega mesmo a tornar-se supérfluo, supranumerário, prestando-se a um discurso radical que aspira à sua dissolução. O corpo seria desta forma a parte maldita da condição humana.

Genealogias do corpo virtual

Resumo indisponível.

Navegação

Contacte-nos

icon-addressRevista de Comunicação e Linguagens
Centro de Estudos de Comunicação e Linguagens
Av. de Berna, 26-C, 5.º andar, sala 506
1069-061 Lisboa PORTUGAL

icon-phone(+351) 21 795 08 91

icon-fax(+351) 21 795 08 91

icon-emailEste endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.