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A realidade do avesso: A questão da fronteira na obra de Philip K. Dick

A obra de Philip K. Dick, não tendo sido directamente influencida pelo trabalho de Humberto Maturana e de Francisco Varela, é consistente com as suas análises sobre a relação entre sistema e observador. Mais concretamente, a luta pela aquisição de um estatuto autopoiético pode ser entendida como uma disputa de fronteira em que cada um reclama a posição privilegiada de «exterior», ao mesmo tempo que obriga o seu oponente a tomar a posição «interior» de componente alopoiético. Dick compreendeu que o modo como são constituídas as fronteiras seria um elemento central na decisão acerca daquilo que deve ser considerado como vivo no final do século XX. Especialmente reveladoras são as novelas que escreveu entre 1962 e 1966, onde se inclui uma série de obras maiores que procuraram definir o que é o humano. Inspiradas na literatura científica da cibernética, e tendo como pedra de toque aquilo que neste texto é chamado «andróide esquizóide», as narrativas de Dick fazem com que esta análise tenha de ser alargada, na medida em que põem em cena ligações entre a cibernética e um vasto leque de outras preocupações, incluindo uma devastadora crítica ao capitalismo, uma perspectiva das relações entre sexos que liga as mulheres aos andróides, uma ligação idiossincrática entre entropia e delírio esquizofrénico, e uma persistente suspeita de que os objectos que nos rodeiam - e até a própria realidade - são ilusões.

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