Home Edições RCL 30 _ Pop Ensaios A contracultura: O ponto vazio no ciclo da cultura ocidental

RCL 30 _ Pop

A contracultura: O ponto vazio no ciclo da cultura ocidental

Ontologicamente, a experiência da cultura não é pertença a uma forma certa da vida, razão pela qual seria um enorme erro tomar a contracultura como simples subversão de um esquematismo cultural. A cultura manifesta-se na invenção de uma deslocação capaz de retirar aos objectos a sua evidência plástica. Então, a cultura só aparentemente é ameaçada pela voracidade do novo. A contracultura valoriza o fascínio pela qualidade indefinível que habita os objectos do mundo quando, paradoxalmente, eles estão mais distantes do brilho e da novidade presentes na criação radical das formas, que seriam o gesto privilegiado pela Estética ocidental. Consequentemente, deveremos ultrapassar as teses que lêem a contracultura como expressão de uma distância face à cultura continental. A contracultura será antes a convocação da tradição cultural a um espaço que lhe é impróprio; não significa arrancar o sujeito à cultura, mas antes trazer ambos, sujeito e cultura, a uma mobilidade inédita. O livro de Theodore Roszak, The making of a counter culture, tem o mérito de reflectir claramente esses contextos, deles dando um relato preso entre o misreading da imediaticidade dos acontecimentos e a sua perspectivação errática, capaz de revelar a fragilidade de uma ideia de cultura fundada em oposições geracionais. Este livro merece ser relembrado como testemunho de um momento alto da expressão da dor no interior da crise da experiência.

Navegação

Contacte-nos

icon-addressRevista de Comunicação e Linguagens
Centro de Estudos de Comunicação e Linguagens
Av. de Berna, 26-C, 5.º andar, sala 506
1069-061 Lisboa PORTUGAL

icon-phone(+351) 21 795 08 91

icon-fax(+351) 21 795 08 91

icon-emailEste endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.